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quinta-feira, 25 de junho de 2015

Pegadinha do “Post it” sinaliza mal exemplo de motorista.

   O canal “BOOM!” fez uma belíssima ação em Maringá (PR). A pegadinha foi feita com um motorista que estacionou indevidamente em uma vaga de deficiente físico. Como ele não tinha nenhuma identificação de deficiente (nem ao menos era um) teve seu carro coberto de Post Its. Veja:
   A lição de moral foi planejada durante 6 meses e o motorista não é nenhum ator. 
  “Não foi armada não. É o seguinte, a nossa intenção, como a gente já tem um canal de pegadinhas no YouTube, hoje com mais de 2 milhões de clicks, nós queríamos usar a nossa influência não só para entreter e criar uma diversão, mas criar uma distração que conscientizasse a pessoa de alguma forma. O motorista não ficou bravo pelo papel, mas sim por ter tanta gente em volta”, afirmou Tiago Fonseca, criador do canal no YouTube, para a CBN de Curitiba.
   Já para o site Bonde, Tiago comentou: "Ficamos monitorando por um bom tempo a frequência que estacionavam naquela vaga. Quando o cara estacionou, tinha alguém seguindo ele, fazendo um passo a passo. O processo de envelopar o carro com post it demorou cerca de 40 minutos, então não podíamos arriscar fazer sem monitorar a pessoa. No final das contas, o guarda chegou na hora que podia chegar, deu tudo certo." 
  O motorista recebeu multa, foi embora envergonhado e com o carro ainda coberto de post it. Espero que a lição tenha válido a pena, e que outras pessoas se não tiverem tomado consciência de quanto é errado estacionar em vaga de deficiente, pelo menos tenha medo de cair em alguma pegadinha semelhante.
 O próprio canal BOOM! Já tinha feito uma pegadinha anterior, onde marcava com tinta que saía com água os carros de outros sem educações em um shopping. Confira:
  Segundo dados do secretário de trânsito de Maringá, Edeval de Oliveira, só neste ano mais de 200 pessoas foram multadas pelo estacionamento irregular. “Tivemos este ano com aquela notificação de ontem, 215 pessoas foram multadas por usar vagas de pessoas com necessidades especiais e 303 notificações foram feitas para pessoas que estavam usando irregularmente vagas para idosos”, afirmou.

domingo, 10 de maio de 2015

Steven Spielberg vai adaptar “Admirável Mundo Novo” para Televisão.

   Spielberg, cineasta, diretor, produtor cinematográfico e empresário, será um dos responsáveis em transformar o livro “Admirável Mundo Novo” de Aldous Huxley em série de TV, pela SyFy. Segundo o The Hollywood Reporter, Steven conta com mesma equipe com quem trabalhou em Taken, série premiada pelo Emmy e exibida em 2002 pelo Sci Fi Channel.
    Além de Taken (2002) onde conta em 10 episódios a história de 3 famílias que tiveram suas vidas mudadas devido o contato com extraterrestres, Spielberg também foi produtor da série Band of Brothers (2001) com parceria de Tom Hanks pela HBO. Baseada no livro de mesmo nome de Stephen E. Ambrose, é considerada a série mais cara da TV: custou US$ 120 milhões, teve 10 mil figurantes e possui mais de 500 personagens, tudo isso para contar a história da Easy Company, integrante da 101ª Divisão Aerotransportada do Exército dos Estados Unidos. Também foram usadas 700 armas autênticas, 400 armas de borracha e cerca de 14 mil caixas de munição em cada dia de filmagem, para fidelizar o máximo possível a série com o cenário da segunda guerra mundial. Rendeu 6 Emmys, 1 Globo de Ouro e 1 Writers Guild Award.
    Já o livro “ Admirável Mundo Novo” de 1932 está entre as melhores ficções científicas já escritas, encontra-se como a quinta maior obra em língua inglesa do século XX e já virou filme duas vezes, uma em 1980 e outra em 1998. A fábula acontece em um futuro distópico, onde o livre arbítrio foi abolido. As pessoas são condicionadas psicológica e biologicamente a viverem em harmonia, através de uma falsa felicidade química devido ao consumo de uma droga de nome “soma”; que exclui toda a insegurança dos cidadãos; e a inserção de ideologias durante o sono. A sociedade é organizada em castas e não há religião ou conceito de família. A gravidez é artificial e as crianças têm educação sexual desde cedo, sendo impossível mudar de classe social. 
  “Sua visão provocativa de um futuro tortuoso se mantém poderosa e atemporal como nunca. Prometendo ser um evento televisivo monumental, ‘Admirável Mundo Novo’ se encaixa cirurgicamente na programação inovadora que tem se tornado marca registrada do Syfy”, declarou Dave Howe, presidente do canal.
    A série ainda não tem previsão de estreia ou gravação. Entretanto já cria grandes expectativas por carregar o nome de Spielberg e ser baseada em um livro espetacular. Acredito que será uma série capaz de unir fãs de seriados, cinema e literatura. 
Confira os trailers de Taken e Band of Brothers:

quinta-feira, 16 de abril de 2015

Não me Abrace, Estou Assustado: A Manipulação da Criatividade Infantil.

   Don't Hug Me, I'm Scared. (Não me Abrace, Estou Assustado), é uma série de vídeos que criticam o modo como coisas e sentimentos são apresentados para as crianças. Eles são criados no formato de programas infantis tradicionais dos Estados Unidos, com fantoches que ensinam as crianças, assim como por exemplo a “Vila Sesamo”. Hoje escolhi falar sobre o primeiro vídeo lançado em 2011, que critica o modo que a mídia ensina o que é criatividade. Tema que encaixa perfeitamente com os programas que ensinam artesanato. Assista.
    Analisando o vídeo temos o caderno de notas representando a mídia. Seu modo de falar é como um “professor”, mas ele na verdade esta ditando não ensinando. O primeiro trecho que podemos observar sua manipulação é quando ele diz:  “Eu uso meu cabelo para me expressar”. Uma das personagens diz que isso parece ser chato. O Bloco repete a frase dando a mínima importância para a opinião do “aluno”. A repetição é uma técnica usada para o condicionamento.
  Em seguida o bloco vai até a janela, onde ele pede para que as personagens identifiquem desenhos nas nuvens. Na primeira vez eles não conseguem, entretanto quando ele coloca a lupa nos olhos, as nuvens vão tomando formas. A lupa é uma alusão ao poder da mídia em dizer o que está na nossa frente, como se víssemos os fatos pelos olhos dela.
   Os personagens parecem ter entendido o que é criatividade. Um deles desenha um palhaço. O bloco diz que ele precisa desacelerar e cobre seu desenho com tinta. Isso mostra que quando alguém começa a desenvolver algo longe dos “conselhos” da mídia está errado e não pode ser mostrado. Na comunicação chamamos esse controle de separar o que é informação importante e o que é desnecessário de agenda setting. O que importante é repetido por todos os veículos de comunicação em massa. O desnecessário muitas vezes não é mostrado ou não é aprofundado e repetido.
  O próximo passo que é ensinado para as crianças é que devem escolher uma cor preferida. Um círculo de cores é mostrado. Cada personagem diz a sua preferida, porém um deles escolhe a cor verde que não está no círculo, resultado? Ele é censurado, limitando o que é criatividade.
  O bloco diz para eles se inspirarem, escutarem o som do seu coração, o som da chuva e a voz na sua cabeça. Essa frase é dita em um tom que lembra os distúrbios psicológicos onde as pessoas obedecem as ordens que ecoam em suas cabeças. Na realidade é a voz da mídia tão repetida que nos parece comum, que já faz parte das nossas escolhas.
   O vídeo toma um ar caótico. A música acelera. A câmera gira mostrando que tudo aquilo é inventado e está acontecendo dentro de um estúdio. Alguns elementos são perturbadores. O principal é um coração humano no meio de um monte de glitter. O coração representa o centro dos sentimentos humanos, para alguns é o principal símbolo de humanidade, e aqui é retratado no meio do gritter, como se a mídia estivesse “enfeitando” e “brincando” com as nossas emoções.
   Reparem que o céu limpo se transforma em uma tempestade, e que dois dos elementos que o bloco pede para escutarmos estão presente: O coração e a chuva. Outro signo no meio deste pandemônio que merece ser interpretado é o bolo de carne. A carne é outro símbolo para o ser humano, o fato dela estar encharcada de sangue deixa mais evidente isso. É como se a mídia feita por homens se alimentasse do próprio homem, o que de fato, metaforicamente é real. 
   Um pedaço de carne “foge” por um buraco de rato. O animal rato é usado para menosprezar o ser humano. “Você é um homem ou um rato?”. A carne escapando pela fresta na parede é o próprio homem transformado em rato.
   Notem que o bloco não está no meio da desordem. A mídia desaparece quando a realidade é mostrada, como se ela fosse intocável pelo caos. Quando retorna, a última frase do bloco é: “Agora tudo está ótimo para nunca ser criativo novamente”. Primeiro temos a ironia de dizer que tudo está ótimo após toda a desordem, por fim a mídia concluí que depois de condicionado não precisamos nunca mais ser criativos.
  Abaixo separei um vídeo do canal "TheFineBros", mostrando a reação de crianças ao verem o “Don't Hug Me, I'm Scared”. É muito divertido ver o comportamento delas durante todo o vídeo e depois as respostas para as perguntas dos entrevistadores e os comentários sobre o que é criatividade. Confira também os links do making off e o canal dos outros vídeos da série.

terça-feira, 31 de março de 2015

Resenha crítica “Das Experiment”: O homem numa caixa.

   “Das Experiment” é um filme Alemão de 2001 baseado em fatos reais, o chamado experimento de aprisionamento de Stanford, ocorrido em 1971 na faculdade de Stanford na Califórnia. Tratava-se de uma experiência que envolvia 20 adolescentes homens voluntários com perfis psicológicos parecidos, que passariam 15 dias dentro de uma prisão simulada, distribuídos nos papeis de prisioneiros e guardas.  Com tudo foi abortada no sexto dia, pois os guardas ficaram extremamente violentos e os prisioneiros já demostravam inúmeros distúrbios emocionais.
   No filme, os voluntários são homens de várias idades e profissões que receberiam uma quantia de dinheiro após o termino da experiência. Dentre eles, Tarek Fahd (prisioneiro n° 77), um taxista que aceita a proposta de um jornalista de usar uma câmera escondida para depois vender a história. Essa foi uma das adaptações feitas no filme para ser mais atrativo no cinema, mas algumas cenas retratam fielmente o que aconteceu, como a invasão dos guardas nas celas usando extintores e obrigando os presos ficarem nus, presos tendo que limparem os banheiros com a própria roupa e castigo para as pessoas que mostravam ter vontade de deixar o experimento, e assim como no filme, o professor que coordenava o projeto demorou a cancelá-lo, mesmo com os estudantes dando sinal de fadiga emocional.
   Analisando algumas cenas, podemos fazer um paralelo entre o filme e a experiência em Stanford com os estudos sobre comportamento de Skinner, Burrhus Frederic Skinner (1904-1990), psicólogo que defende que o meio ambiente é responsável pelo comportamento humano, e que este meio pode ser condicionado para dar estímulos positivos e negativos para o indivíduo responder com uma ação.
  Primeiramente temos o estimulo para atrair voluntários para a experiência, o dinheiro, que ao mesmo tempo serve para coibir o desejo de abandonar o projeto, já que ao desistir o indivíduo não recebe. Depois temos os testes para que um computador defina quem recebera cada papel. Propositalmente pessoas com potenciais perfis divergentes são colocadas em posições opostas, o caso de Tarek e um dos guardas, Berus.
   Definido os guardas e prisioneiros o condicionamento começa na entrega das roupas. Policiais recebem seus uniformes, algemas e cassetetes. Os prisioneiros recebem uma espécie de túnica, chinelos e a ordem quem só devem ser tratados pelos números escritos em suas vestimentas. Há também regras que os guardas leem para os presos: Obedecer imediatamente o que for pedido; não conversar depois que as luzes se apagarem; comer tudo que for colocado no prato; não respeitar as regras gera punição. Os guardas não devem usar de agressão física, entretanto precisam manter a ordem do local.
   Os trajes já servem de reforço como padronização de cargo, eles já mostrando a superioridade ou inferioridade. Transformar o indivíduo em um número o desumaniza, afasta de julgamentos emocionais, já que ser tratado pelo nome é o mínimo que de dignidade que uma pessoa pode ter. Regras com sistemas de punição é a base de condicionamento através de reforços negativos.
   No início, todos estão levando na brincadeira, mas durante uma refeição um dos presos recusa tomar leite, para que ele não fosse punido Tarek bebe em seu lugar. O Guarda que permitiu é rebaixado pelos outros guardas, então ele perde a paciência, vai até as celas e pune Tarek. Na outra refeição novamente o preso recusa o leite, Tarek estimula todos pagarem flexões pelo preso que não gosta de leite. Isso irrita todos os guardas, pois ele começa a fazer uma sequência de ações que desrespeitam as regras, mas diverte os outros prisioneiros. É o reforço positivo dos outros presos que vai transformando n° 77 em um rebelde.
    Um dos guardas, Berus, tem a ideia de humilhar os presos para manter o controle, é quando ocorre a invasão nas celas. A humilhação através da nudez é um reforço negativo, o ser humano se sente inferior, desprotegido, quando está sem roupa. Neste momento os guardas dão um aviso: toda vez que n° 77 desrespeitar uma regra todos serão punidos. A penalidade coletiva é outro reforço negativo, que faz com que Tarek tenha que pensar em todos antes de agir.
    As outras humilhações anteriormente citadas vão dando mais sensação de poder aos guardas, são reforços que tanto os desumanizam que eles sentem prazer com a vergonha alheia. Tudo piora quando um cofre é colocado no meio da sala como futuro instrumento de tortura para o próximo desrespeito. Um símbolo tão ameaçador, que só sua presença carrega o lugar de mais medo.
     Tarek é colocado no cofre porque tenta enviar uma carta pedindo ajuda para fora da prisão. Uma curiosidade é que o ator, Moritz Bleibtreu, que interpreta o n° 77, é claustrofóbico, o que deixa a cena dele aprisionado, mas perturbadora.
    Neste ponto, já no quinto dia, o professor responsável viaja e a pesquisadora que acompanha decide parar a experiência. Berus acredita que a carta e o pedido de finalização são mais uma avaliação para os guardas, algo combinado para testar como se comportariam com a possibilidade de um agente externo. A liderança violenta de Berus está tão estimulada que sua megalomania pré-existente está muito “alimentada”.  Ele manda trancar dois pesquisadores junto com os presos, começam a usar violência, um preso morre e depois um guarda. Cenas tão chocantes que são difíceis de ser descritas. No fim Berus é preso.
   Uma consideração que deve ser feita sobre um dos acontecimentos nesta parte final é que momentos antes dos policiais invadirem as celas alguns presos abrem uma saída. Os traumas de alguns são tão grandes, que estes não conseguem atravessar a linha que os mantinham atrás das grades ou esquecem de tirar a fita que tampam suas bocas, necessitando de ajuda. Mais uma vez um símbolo reforçando as punições e também servindo como memória de controle.  São como filhotes de elefantes presos com bolas de aço, que quando crescem não percebem sua superioridade de tamanho e força comparadas com o peso da esfera.
      O filme mostra como realmente é possível condicionar através do ambiente e dos reforços que são dados, e que este ou qualquer outro teste com pessoas com certeza sairá do controle, pois apesar de ser possível dar um estímulo para conseguir uma ação, não previsível como será a reação devido todos os agentes emocionais e físicos individuais de cada ser humano.

segunda-feira, 16 de março de 2015

Empatia: Um sentimento publicitário.


     Com toda certeza, você já se deparou com um comercial ou outra peça publicitária que mais lhe transmitisse emoção do que lhe fizesse comprar algo ou adotar uma ideologia. A Publicidade sempre usa dos sentimentos da alegria, desejo, sensação de poder para alcançar seus objetivos, mas quando usa o amor, a compaixão ou a superação, tendemos a nós emocionar; o motivo se chama empatia. 
     A empatia é a capacidade de se colocar no lugar de outro, não que não possamos sentir empatia em momentos de felicidade, mas este sentimento se torna maior quando o outro passa por dificuldades já que nosso cérebro tende a antecipar ameaças pelas experiências das pessoas em nossa volta. Outro detalhe é que quando mais próximo a pessoa, mais empatia podemos sentir, já que temos além do instinto de autodefesa, o “instinto de preservação de manada”. Protegemos nosso grupo social, pois dependemos deles para conseguir desenvolver tarefas e principalmente nos relacionar e manter laços afetivos.
    Quando o indivíduo que sentimos empatia é um desconhecido, buscamos conexões para aproximá-lo de nós, exemplos: mesma profissão, classe social, pessoas conhecidas com mesmo problema, qualidades ou defeitos parecidos com os nossos.
     Olhar o mundo pela perspectiva do outro, permite entender suas necessidades, emoções e problemas, e assim, facilita compreender suas ações e concordar com tais. Essa virtude também depende do afastar do “EU”, esquecer todas as razões e sentimentos pessoais e se concentrar apenas na ótica do outro. Separei três comercias onde a empatia foi bem trabalhada:


   No comercial espanhol: “Hair-Associação AFANOC pelas crianças com câncer”, ganhador do Cannes em 2007, temos uma criança que corta seu cabelo e presenteia seu irmão, ele como gesto de partilha entrega seu boné. A frase “Não lhe pedimos mais do que nos pode dar” finaliza a peça e traz a reflexão de que apenas no gesto de doar cabelo, já estamos diminuindo a dor de uma pessoa com câncer.

    Em “Graffiti-Pfizer”, comercial de empresa farmacêutica, vemos no início o que aparentemente é um vandalismo, no final se transformar em um gesto motivação a uma criança doente. A iluminação e a música começa tensa, mas muda no momento que o garoto leva as flores para o quarto, abre a janela e vemos que na verdade o que ele escreveu na parede foi uma frase de estímulo: “Seja Valente”. O uso de crianças é bem comum neste tipo de comercial, já que sentimos mais empatia por pessoas que ainda tem “muito para viver” ou que são “o nosso futuro”.
     No último comercial, “Embrace Life: A new online ad with a twist”, a agência SSRP, criou um anúncio sobre a importância do uso de sinto de segurança de uma forma diferente da convencional; o uso da emoção mas sem a violência e a abordagem chocante comum para este tipo de vídeo.


     A propaganda mostra que quando você sofre um acidente, quem perde mais é a sua família, então ao usar o cinto (que neste comercial foi muito bem construído como sendo esposa e filha), você está se protegendo por eles. Novamente o núcleo familiar é usado para transmitir empatia, já que como forma de relacionamento primário, muitas vezes protegê-los é mais importante que nós proteger.

segunda-feira, 9 de março de 2015

Condicionado ao Mármore.

          Coloque-se no lugar de um criança que acaba de vir ao mundo; teoricamente simples, já que todos passamos por isso, mas que memórias trazemos de tal fato?
          Ao nascer, somos como uma pedra de mármore, bruta, sem forma, inserida dentro de um “ateliê social”. As primeiras marteladas que nos modelam são de nossos pais ou de outros responsáveis que acompanham nosso crescimento, são as marretadas mais fortes que definem nossa educação.
          Em seguida, tendo nos dado forma, nossos pais são obrigados a dividir sua obra com os demais usuários do ateliê, esse é o momento que a criança tem contato com a sociedade. A entrada na escola, o convívio com outras crianças, os professores transmitindo conhecimento, a igreja, o bairro e outros locais de convívio vão nós “lixando” e nós moldando mais e mais.
          A mídia, que neste ponto, já está a bastante tempo incluída na nossa modelagem, entrando em nossas casas cada vez mais cedo através da televisão, rádio, internet, jornais e revistas, não conseguem ser restringida por nossos pais, no como e quando, ELA, mudara nossa forma. Os pais não devem se culpar, pois a mídia também os esculpiram.



     Quando tomamos conta que somos uma escultura (algumas pessoas infelizmente nunca percebem), podemos ter mais controle, mas não completo, do que deixamos nos moldar. Um segredo - às vezes somos escultores de nós mesmos, e sempre somos escultores dos outros. Pela vida podem surgir intempéries para nós destruir (depressão, fobia social, pânico), toda via nós podemos nos reconstruir, porque nossa obra nunca está terminada, a sociedade está sempre nos mudando.
          Note que essa comparação não passa da descrição do que é comportamento, pois ele é um conjunto de ações motivadas por uma determina causa. Muitas vezes presenciamos o comportamento, mas não sabemos a causa; quando conhecida podemos prever o comportamento, visto que ele é aprendido e pode ser controlado através de estímulos e manipulação do ambiente.

     Estímulo= Resposta= Consequência.

          Estímulos são reforços, positivos ou negativos que recebemos diariamente para nos gerar ações, definindo nosso comportamento. Um tipo de “classificação”, baseada em como olhamos o mundo. A chamada percepção, que muda de individuo para individuo dependendo da nossa bagagem cultural, filosófica, econômica ou simplesmente social
       Desde modo, nos comportamos da maneira que interagimos com o meio. Temos pré-estabelecidas normais de convivência impostas pela sociedade, a moral, que depois de uma reflexão baseada no nosso olhar, gera nossa ética.   A ética, como resultado dessa equação, nos dá um limite pessoal do que é um comportamento certo ou errado. Conhecendo esta percepção do indivíduo, podemos lhe dar o estimulo certo para gerar o efeito esperado.
          A publicidade usa essa artificio de estimular um desejo, para que em cada necessidade o ser humano encontre uma razão para se sentir seguro, confortável, cobiçado, bem em todos os aspectos. O marketing vende o produto, a publicidade vende o motivo pela compra, a sensação de poder, a possibilidade de se embebedar de autoestima. E BUMMMM, o homem racional se reduz a uma pedra de mármore.

Davi de Michelangelo