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quinta-feira, 16 de abril de 2015

Não me Abrace, Estou Assustado: A Manipulação da Criatividade Infantil.

   Don't Hug Me, I'm Scared. (Não me Abrace, Estou Assustado), é uma série de vídeos que criticam o modo como coisas e sentimentos são apresentados para as crianças. Eles são criados no formato de programas infantis tradicionais dos Estados Unidos, com fantoches que ensinam as crianças, assim como por exemplo a “Vila Sesamo”. Hoje escolhi falar sobre o primeiro vídeo lançado em 2011, que critica o modo que a mídia ensina o que é criatividade. Tema que encaixa perfeitamente com os programas que ensinam artesanato. Assista.
    Analisando o vídeo temos o caderno de notas representando a mídia. Seu modo de falar é como um “professor”, mas ele na verdade esta ditando não ensinando. O primeiro trecho que podemos observar sua manipulação é quando ele diz:  “Eu uso meu cabelo para me expressar”. Uma das personagens diz que isso parece ser chato. O Bloco repete a frase dando a mínima importância para a opinião do “aluno”. A repetição é uma técnica usada para o condicionamento.
  Em seguida o bloco vai até a janela, onde ele pede para que as personagens identifiquem desenhos nas nuvens. Na primeira vez eles não conseguem, entretanto quando ele coloca a lupa nos olhos, as nuvens vão tomando formas. A lupa é uma alusão ao poder da mídia em dizer o que está na nossa frente, como se víssemos os fatos pelos olhos dela.
   Os personagens parecem ter entendido o que é criatividade. Um deles desenha um palhaço. O bloco diz que ele precisa desacelerar e cobre seu desenho com tinta. Isso mostra que quando alguém começa a desenvolver algo longe dos “conselhos” da mídia está errado e não pode ser mostrado. Na comunicação chamamos esse controle de separar o que é informação importante e o que é desnecessário de agenda setting. O que importante é repetido por todos os veículos de comunicação em massa. O desnecessário muitas vezes não é mostrado ou não é aprofundado e repetido.
  O próximo passo que é ensinado para as crianças é que devem escolher uma cor preferida. Um círculo de cores é mostrado. Cada personagem diz a sua preferida, porém um deles escolhe a cor verde que não está no círculo, resultado? Ele é censurado, limitando o que é criatividade.
  O bloco diz para eles se inspirarem, escutarem o som do seu coração, o som da chuva e a voz na sua cabeça. Essa frase é dita em um tom que lembra os distúrbios psicológicos onde as pessoas obedecem as ordens que ecoam em suas cabeças. Na realidade é a voz da mídia tão repetida que nos parece comum, que já faz parte das nossas escolhas.
   O vídeo toma um ar caótico. A música acelera. A câmera gira mostrando que tudo aquilo é inventado e está acontecendo dentro de um estúdio. Alguns elementos são perturbadores. O principal é um coração humano no meio de um monte de glitter. O coração representa o centro dos sentimentos humanos, para alguns é o principal símbolo de humanidade, e aqui é retratado no meio do gritter, como se a mídia estivesse “enfeitando” e “brincando” com as nossas emoções.
   Reparem que o céu limpo se transforma em uma tempestade, e que dois dos elementos que o bloco pede para escutarmos estão presente: O coração e a chuva. Outro signo no meio deste pandemônio que merece ser interpretado é o bolo de carne. A carne é outro símbolo para o ser humano, o fato dela estar encharcada de sangue deixa mais evidente isso. É como se a mídia feita por homens se alimentasse do próprio homem, o que de fato, metaforicamente é real. 
   Um pedaço de carne “foge” por um buraco de rato. O animal rato é usado para menosprezar o ser humano. “Você é um homem ou um rato?”. A carne escapando pela fresta na parede é o próprio homem transformado em rato.
   Notem que o bloco não está no meio da desordem. A mídia desaparece quando a realidade é mostrada, como se ela fosse intocável pelo caos. Quando retorna, a última frase do bloco é: “Agora tudo está ótimo para nunca ser criativo novamente”. Primeiro temos a ironia de dizer que tudo está ótimo após toda a desordem, por fim a mídia concluí que depois de condicionado não precisamos nunca mais ser criativos.
  Abaixo separei um vídeo do canal "TheFineBros", mostrando a reação de crianças ao verem o “Don't Hug Me, I'm Scared”. É muito divertido ver o comportamento delas durante todo o vídeo e depois as respostas para as perguntas dos entrevistadores e os comentários sobre o que é criatividade. Confira também os links do making off e o canal dos outros vídeos da série.

segunda-feira, 9 de março de 2015

Condicionado ao Mármore.

          Coloque-se no lugar de um criança que acaba de vir ao mundo; teoricamente simples, já que todos passamos por isso, mas que memórias trazemos de tal fato?
          Ao nascer, somos como uma pedra de mármore, bruta, sem forma, inserida dentro de um “ateliê social”. As primeiras marteladas que nos modelam são de nossos pais ou de outros responsáveis que acompanham nosso crescimento, são as marretadas mais fortes que definem nossa educação.
          Em seguida, tendo nos dado forma, nossos pais são obrigados a dividir sua obra com os demais usuários do ateliê, esse é o momento que a criança tem contato com a sociedade. A entrada na escola, o convívio com outras crianças, os professores transmitindo conhecimento, a igreja, o bairro e outros locais de convívio vão nós “lixando” e nós moldando mais e mais.
          A mídia, que neste ponto, já está a bastante tempo incluída na nossa modelagem, entrando em nossas casas cada vez mais cedo através da televisão, rádio, internet, jornais e revistas, não conseguem ser restringida por nossos pais, no como e quando, ELA, mudara nossa forma. Os pais não devem se culpar, pois a mídia também os esculpiram.



     Quando tomamos conta que somos uma escultura (algumas pessoas infelizmente nunca percebem), podemos ter mais controle, mas não completo, do que deixamos nos moldar. Um segredo - às vezes somos escultores de nós mesmos, e sempre somos escultores dos outros. Pela vida podem surgir intempéries para nós destruir (depressão, fobia social, pânico), toda via nós podemos nos reconstruir, porque nossa obra nunca está terminada, a sociedade está sempre nos mudando.
          Note que essa comparação não passa da descrição do que é comportamento, pois ele é um conjunto de ações motivadas por uma determina causa. Muitas vezes presenciamos o comportamento, mas não sabemos a causa; quando conhecida podemos prever o comportamento, visto que ele é aprendido e pode ser controlado através de estímulos e manipulação do ambiente.

     Estímulo= Resposta= Consequência.

          Estímulos são reforços, positivos ou negativos que recebemos diariamente para nos gerar ações, definindo nosso comportamento. Um tipo de “classificação”, baseada em como olhamos o mundo. A chamada percepção, que muda de individuo para individuo dependendo da nossa bagagem cultural, filosófica, econômica ou simplesmente social
       Desde modo, nos comportamos da maneira que interagimos com o meio. Temos pré-estabelecidas normais de convivência impostas pela sociedade, a moral, que depois de uma reflexão baseada no nosso olhar, gera nossa ética.   A ética, como resultado dessa equação, nos dá um limite pessoal do que é um comportamento certo ou errado. Conhecendo esta percepção do indivíduo, podemos lhe dar o estimulo certo para gerar o efeito esperado.
          A publicidade usa essa artificio de estimular um desejo, para que em cada necessidade o ser humano encontre uma razão para se sentir seguro, confortável, cobiçado, bem em todos os aspectos. O marketing vende o produto, a publicidade vende o motivo pela compra, a sensação de poder, a possibilidade de se embebedar de autoestima. E BUMMMM, o homem racional se reduz a uma pedra de mármore.

Davi de Michelangelo